Saltar para o conteúdo
    • Notícias
    • Desporto
    • Televisão
    • Rádio
    • RTP Play
    • RTP Palco
    • Zigzag Play
    • RTP Ensina
    • RTP Arquivos
RDP África - RTP
  • Programas
  • Informação
  • Desporto
  • Podcasts
  • Vídeos
  • Programação
  • + RDP África
    Apoios Contactos

NO AR
PROGRAMAÇÃO já tocou
Imagem de A Primeira Dama de Moçambique e a estética do sofrimento
África em Destaque 2 fev, 2026, 08:34

A Primeira Dama de Moçambique e a estética do sofrimento

Imagem de A Primeira Dama de Moçambique e a estética do sofrimento
África em Destaque 2 fev, 2026, 08:34

A Primeira Dama de Moçambique e a estética do sofrimento

Os conflitos armados e as catástrofes naturais que assolam regularmente Moçambique geram deslocações forçadas e centenas de milhares de moçambicanos acumulam-se em centros de deslocados. A população é concentrada em escolas primárias, acumulando-se inúmeras famílas em salas de aula, que rapidamente se tornam insuficientes para o volume de deslocados. Nos centros de reassentamento faltam tendas, lonas, redes mosquiteiras e sanitários. Centenas de famílias partilham por vezes uma única torneira. Faltam esteiras, utensílios de cozinha, roupa seca e sabão. As crianças viveram o trauma dos pais, que perderam tudo o que juntaram ao longo de uma vida, e carecem de apoio psicossocial. A resposta humanitária é insuficiente para as necessidades alimentares, médicas e medicamentosas. Unidades móveis com enfermeiros destacadas para o terreno defrontam longas filas de pacientes.

Os casos mais vulneráveis são as famílas monoparentais chefiadas por mulheres, idosos ou doentes, indivíduos com menos ligações ao poder local ou que chegaram tardiamente ao centro de reassentamento. Invariavelmente, proliferam histórias de liderenças locais oportunistas, que incluem nas listas de reassentados elementos das respectivas famílias ou desviam para si a ajuda humanitária. As mulheres mais carenciadas são mais vulneráveis e são comuns os fenómenos de troca de sexo por comida.

É neste cenário que a Primeira Dama de Moçambique, conhecida pelo glamour com que se apresenta em público, anunciou que iria deixar o palácio da Presidência para viver temporariamente num centro de deslocados. Ainda que possa ter chamar a atenção mediática para a carencia generalizada, atraindo donativos, esta atitude tem sido entendida como um caso paradigmático de marketing político, disfarçado de humanitarismo, levantando questões sobre a exploração política da vulnerabilidade extrema. Ao simular a partilha das privações das vítimas, a Primeira-Dama promove uma romantização da pobreza, transformando o trauma real de milhares de moçambicanos numa experiência de imersão. Esta estética de solidariedade, que se foca no seu gesto simbólico e individual, desvia a atenção da incapacidade estrutural do Estado em planificar e garantir serviços humanitários resilientes às populações. A presença da Primeira-Dama nos centros funciona como uma vitrine mediática, que se concentra na empatia da figura materna da nação, ignorando a ausência de políticas públicas eficazes ou a gestão transparente das doações. A passagem efémera da primeira dama pelo centro de deslocados, com regresso garantido ao palácio presidencial, contrasta com o futuro de incerteza das famílias deslocadas, sem meios de substência e em insegurança alimentar.

Familiarizada com o caos humanitário, a população moçambicana vai apurando o sentido de humor, cada vez mais negro e cáustico. Comentando a intenção da primeira dama de dormir nos centros de deslocados, alguém ironizava nas redes sociais: “cuidado voltar grávida das tendas mãe, lá há pessoas perigosas. Desculpa qualquer coisa”.

Imagem de Opinião de...João Feijó (Moçambique),

Opinião de...João Feijó (Moçambique),

"A Primeira Dama de Moçambique e a estética do sofrimento"

Mais Episódios

Pode também gostar

Imagem de As desigualdades Norte – Sul em Moçambique

As desigualdades Norte – Sul em Moçambique

Imagem de Imigração: os casos do Ruanda e do ICE Presidenciais portuguesas

Imigração: os casos do Ruanda e do ICE Presidenciais portuguesas

Imagem de Crise energética em STP: um caso de estudo!

Crise energética em STP: um caso de estudo!

Imagem de RDP África assinala Dia Mundial da Rádio com emissão em Moçambique

RDP África assinala Dia Mundial da Rádio com emissão em Moçambique

Imagem de Famílias angolanas apostam no táxi por aplicativo para compor o fim do mês

Famílias angolanas apostam no táxi por aplicativo para compor o fim do mês

Imagem de Fazer de Conta

Fazer de Conta

Imagem de A Rudeza da Capital

A Rudeza da Capital

Imagem de A Cultura de Medo e o Debate de Ideias

A Cultura de Medo e o Debate de Ideias

Imagem de Liberdade de imprensa nos PALOP e os Impactos do projecto de Gás Natural Liquefeito da Total Energies, em Moçambique

Liberdade de imprensa nos PALOP e os Impactos do projecto de Gás Natural Liquefeito da Total Energies, em Moçambique

Imagem de A degradação do ambiente político em São Tomé e Príncipe

A degradação do ambiente político em São Tomé e Príncipe

PUB
RDP África - RTP

Siga-nos nas redes sociais

Siga-nos nas redes sociais

  • Aceder ao Facebook da RDP África
  • Aceder ao Instagram da RDP África
  • Aceder ao YouTube da RDP África

Instale a aplicação RTP Play

  • Descarregar a aplicação RTP Play da Apple Store
  • Descarregar a aplicação RTP Play do Google Play
  • Contactos
  • Frequências
  • Programas
  • Podcasts
Logo RTP RTP
  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
  • Youtube
  • flickr
    • NOTÍCIAS
    • DESPORTO
    • TELEVISÃO
    • RÁDIO
    • RTP ARQUIVOS
    • RTP Ensina
    • RTP PLAY
      • EM DIRETO
      • REVER PROGRAMAS
    • CONCURSOS
      • Perguntas frequentes
      • Contactos
    • CONTACTOS
    • Provedora do Telespectador
    • Provedora do Ouvinte
    • ACESSIBILIDADES
    • Satélites
    • A EMPRESA
    • CONSELHO GERAL INDEPENDENTE
    • CONSELHO DE OPINIÃO
    • CONTRATO DE CONCESSÃO DO SERVIÇO PÚBLICO DE RÁDIO E TELEVISÃO
    • RGPD
      • Gestão das definições de Cookies
Política de Privacidade | Política de Cookies | Termos e Condições | Publicidade
© RTP, Rádio e Televisão de Portugal 2026