Enquanto alguns sectores da vida política de São Tomé e Príncipe (STP) ainda debatem os efeitos da crise política instalada no país desde o famigerado acórdão do Tribunal Constitucional, que declarou inconstitucional o decreto presidencial que demitiu o XVIII Governo, liderado pelo então Primeiro-Ministro Patrice Trovoada — e cujos resquícios ainda se fazem sentir no braço de ferro entre a Presidência da República e o Tribunal Constitucional —, há um país que não pode ficar estagnado e que clama por avanços em vários domínios.
Por isso mesmo, creio que a notícia de que o atual Governo iniciou, com o apoio do Banco Mundial, a construção de um parque fotovoltaico para reforçar o sistema energético do nosso país deve ser vista de forma bastante positiva. Aliás, deveriam ser este tipo de ações concretas a marcar as sucessivas governações em STP, porque, certamente, se todos os governos tivessem adotado, de forma séria e responsável, a questão da sustentabilidade energética como prioridade, a esta altura o nosso país não estaria na crise que acaba por impactar vários setores vitais da economia, com consequências muito duras e duradouras na vida dos são-tomenses.
Além de ser uma infraestrutura moderna, inserida no quadro dos esforços governamentais no sentido de acelerar a transição energética de que tanto necessitamos, creio que representa também uma oportunidade para gerar postos de trabalho para vários jovens quadros altamente competentes que o nosso país tem ao dispor no domínio do setor energético.
O projeto agora anunciado representa, finalmente e felizmente, uma luz ao fundo do túnel para a tão desejada estabilização da capacidade de produção e distribuição de eletricidade em STP, numa altura em que o país deve continuar a envidar esforços e realizar investimentos em fontes de energia limpas e renováveis, que, por sua vez, permitirão a estabilidade da rede nacional. O que certamente abrirá portas para que vários setores impulsionadores da economia, como o turismo e, com ele, a restauração e os serviços, possam continuar a desenvolver as suas atividades, gerando emprego e riqueza e promovendo o nome de STP enquanto destino turístico único, seguro e tranquilo em África.