Um dos efeitos resultantes da crise política que se instalou em São Tomé e Príncipe (STP) desde finais do mês de janeiro foi o facto de, por ação deliberada ou não, se ter conseguido desviar as atenções da crise energética que o nosso país vive há mais de sete meses, sem solução concreta à vista.
E quando todos os são-tomenses estavam convictos de que, com a chegada do grupo de seis (6) novos geradores adquiridos pela EMAE, seria possível reverter o quadro caótico que o país vive atualmente, devido às falhas constantes de eletricidade, eis que é o próprio Governo que vem anunciar que, afinal, “os seis novos geradores já estão em funcionamento, mas, contrariamente a todas as expectativas, em vez de reforçarem a produção de eletricidade, passaram a substituir os antigos geradores que, inesperadamente, tiveram de ser submetidos a manutenção”.
Ora, creio que é quase impossível qualquer cidadão não reagir com estupefação à justificação agora apresentada pelo Governo, através da própria direção da EMAE, numa altura em que vários setores vitais da economia são-tomense estão a ser altamente prejudicados face à crise energética que se instalou e que parece não ter fim à vista.
Se é verdade que, infelizmente, até hoje, a nossa matriz energética continua a ser sustentada através de combustíveis fósseis, designadamente através da queima de gasóleo, sem que os diversos governos tenham tido a capacidade de priorizar e concretizar a transição energética para fontes de energia renováveis e amigas do ambiente, é incompreensível o nível de amadorismo e a ausência de compromisso por parte dos decisores políticos na gestão e tomada de decisões mais acertadas num dos setores mais importantes e vitais para a vida coletiva em STP.
Respeitando e valorizando o trabalho abnegado dos técnicos que todos os dias trabalham nas centrais térmicas, dando o melhor de si para reparar os geradores avariados e que necessitam de manutenção, é incompreensível a falta de planeamento, organização, programação, gestão criteriosa e responsável dos recursos públicos, a fim de realizar as principais tarefas do Estado.
Pior ainda é constatar que está enraizada no nosso país uma cultura de total ausência de responsabilidade. Sim, ninguém assume responsabilidade por nada quando o Estado/Administração falha na sua atividade. E, no que diz respeito à gestão dos geradores, entre justificações e consequências, o que se ouve é que “entra um e sai outro”, segundo o diretor da EMAE. Enfim, estamos apresentados: a crise energética de STP é um caso de estudo.