A Comissão Nacional Eleitoral de Angola, entidade que organiza as eleições no País, anunciou recentemente o vencedor do concurso para a solução tecnológica e a logística das eleições gerais de 2027.
Sem surpresa, a vencedora do concurso foi a espanhola INDRA. A INDRA, é uma espécie de fornecedor oficial das eleições de Angola. A INDRA forneceu serviços nas eleições de 2008, 2012, 2017 e 2022. Ou seja, a INDRA participou em todos os actos eleitorais depois da retoma das eleições na sequência da Paz. O acto eleitoral de 2027 será o quinto consecutivo com a mão da INDRA que goza do monopólio das eleições em Angola. O problema é que a empresa espanhola tem sido muito contestada pela oposição e por organizações da sociedade civil angolanas com acusações de cumplicidade nas supostas fraudes que têm marcado as eleições, de acordo com a oposição e organizações da sociedade civil. A INDRA responde que as acusações têm motivações políticas mas os acusadores lembram que a empresa foi multada em Espanha por alegadamente ter pago comissões em Angola no âmbito das eleições de 2008. As suspeitas sobre a INDRA deveriam fazer com que a Comissão Nacional Eleitoral fosse mais transparente no concurso para a escolha das empresas fornecedoras das eleições. O concurso aberto no final do ano passado e encerrado em menos de um mês contou com quatro empresas, três angolanas mais a INDRA. Mas empresas angolanas acabaram excluídas. Dá a ideia que foram apenas para fazer número. O caderno de encargos do concurso exigia experiência em eleições em seis países distintos e com mais de oito milhões de eleitores. Não há nenhuma empresa angolana que preencha este requisitos e nenhuma empresa internacional participou do concurso que parece ter sido feito à medida da INDRA. A escolha da INDRA, é mais uma acha na fogueira eleitoral angolana. A outra foi a escolha do actual presidente da Comissão Nacional Eleitoral num concurso que também parece ter sido para ele ao exigir experiência eleitoral. Manuel Pereira da Silva é acusado pela oposição e organizações da sociedade civil de ter favorecido o MPLA nas eleições de 2022. Ou seja, temos um presidente da comissão nacional eleitoral muito contestado, temos uma empresa que vai fornecer a solução tecnológica e a logística eleitoral também muito contestada. Neste contexto, só por milagre os resultados das eleições de 2027 não serão contestados pela oposição e por organizações da sociedade civil.