Quase 15 dias depois da detenção, pela Interpol, de um ex-conselheiro especial do Presidente da República (PR) de São Tomé e Príncipe (STP), numa unidade hoteleira na ilha do Príncipe, eis que esta semana somos novamente surpreendidos com uma nova detenção, também a mando da Interpol, de outro conselheiro especial.
Desta vez, infelizmente, aprofundando ainda mais o descrédito das nossas instituições, dos titulares de órgãos de soberania e do bom nome do nosso país, foi detido um ex-conselheiro especial do primeiro-ministro Américo Ramos, que também era procurado pela Interpol, indiciado pela prática de vários crimes, igualmente previstos e punidos pela lei penal são-tomense.
É quase inacreditável constatar, uma vez mais, que STP se vê diante de dois casos graves que mancham sobremaneira a credibilidade e a imagem séria, segura e respeitável que sempre caracterizaram o nosso país no mundo.
Por isso mesmo, não podemos, de forma alguma, relativizar esta sucessão de situações graves que, se não forem devidamente e cabalmente esclarecidas por quem tem efetiva responsabilidade, comprometem a credibilidade do nosso Estado, das suas instituições e até mesmo o processo de desenvolvimento socioeconómico sustentável que tanto desejamos construir.
Creio que igualmente estranho é, na minha opinião, a ligeireza com que o atual primeiro-ministro veio prestar explicações e justificações que não se sustentam nem corroboram o conjunto de dados e informações que têm circulado por diversos meios de comunicação social e até pelas autoridades espanholas, a respeito das suspeitas e do envolvimento do cidadão chileno em vários casos e processos criminais desde o ano de 2024.
Nas justificações apresentadas pelo primeiro-ministro, creio que o essencial não foi dito nem esclarecido: de que forma são apresentadas as individualidades para exercerem as funções de conselheiro especial? Quais são os critérios formais e materiais que sustentam a nomeação de um conselheiro especial do primeiro-ministro? E mais: que medidas preventivas são efetivamente adotadas para avaliar a idoneidade de alguém que se apresenta como potencial investidor para o nosso país?
Mais do que a ausência de seriedade no modo como os mais altos cargos dirigentes são exercidos em STP, esta nova detenção pela Interpol de mais um ex-conselheiro especial, desta vez do Chefe do Governo do nosso país, deve obrigar os outros poderes e instituições da nossa República — que de facto estão comprometidos com a Constituição
e com as leis — a agir no sentido de preservar a confiança e, por consequência, a nossa própria democracia. Pois não há democracia quando os cidadãos deixam de confiar nas instituições da República.