O líder do PAIGC, Domingo Simões Pereira, foi transferido esta sexta-feira, ao final do dia, para prisão domiciliária.
O também Presidente eleito da Assembleia Nacional Popular estava detido desde 26 de novembro. Foi nesse dia que os militares efetuaram um golpe de Estado. Estão no poder desde essa altura.
Domingos Simões Pereira está preso sem ter qualquer acusação formal conhecida. Já tinha sido impedido de concorrer às eleições de 23 de Novembro, tal como o PAIGC, o maior partido do país africano.
A transferência de Domingos Simões Pereira para prisão domiciliária foi acompanhada pelo ministro das Forças Armadas do Senegal, Birame Diop. O Senegal teve um papel central na melhoria das condições de detenção de DSP, como é conhecido.
A população juntou-se à saída da segunda esquadra de Bissau onde DSP estava detido para festejar a saída da cadeia. Perante esta manifestação de apoio, os militares dispersaram a concentração.
Também esta sexta-feira Fernando Dias da Costa, candidato presidencial apoiado pelo PAIGC que reclama vitória nas eleições de novembro, saiu da embaixada da Nigéria em Bissau onde estava refugiado para evitar ser preso, desde o dia do golpe de Estado.
Também Geraldo Martins, antigo primeiro-ministro e quadro do PAIGC, saiu da embaixada nigeriana.
Estas medidas estão a ser utilizadas pelos militares no poder para mostrarem à comunidade internacional os progressos em curso.
O Presidente da República de Transição, o major-general Horta Inta’a, enviou uma carta á Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) a anunciar a “libertação de todos os presos políticos”, com a exceção de DSP, a quem garante a “melhoria das condições de detenção”.
Na comunicação enviada à CEDEAO, e distribuída às redações pela organização sedeada em Abuja, na Nigéria, lê-se que os militares vão propor a “Constituição de um Governo de Transição inclusivo, com a atribuição de três pastas ministeriais ao PAIGC e três ao grupo político liderado pelo Sr. Fernando Dias da Costa”, bem como a “nomeação de dez representantes dos dois grupos políticos para o Conselho Nacional de Transição”.
Este Conselho foi criado pelos militares para substituir a Assembleia Nacional Popular, o parlamento guineense, que continua sem funcionar.
Ainda não se sabe se os convites já foram enviados pelos militares para o PAIGC e para Fernando Dias da Costa, candidato que foi apoiado pelo próprio PAIGC nas eleições de novembro.
A CEDEAO saudou as medidas adotadas pelos militares, que descartaram os resultados eleitorais de novembro e marcaram novo sufrágio para 6 de dezembro deste ano.