O coordenador da Plataforma Decide defende a responsabilização do Estado moçambicano pelas mortes registadas durante as manifestações que se seguiram às eleições gerais de 09 de outubro. Wilker Dias diz à RDP-África que os processos submetidos à Procuradoria-Geral da República e a alguns organismos internacionais estão em curso.
Para o Wilker Dias, ninguém pode ficar impune com a morte de cidadãos que manifestavam contra os resultados das eleições gerais de 9 de outubro e a queixa submetida ao Ministério Público tem pernas para andar.
“A Procuradoria-Geral da República está nesse momento também empenhada em ouvir as testemunhas e vamos continuar também a fazer este acompanhamento e a inserir mais pessoas que foram sofrendo neste tipo de situações”.
O coordenador da plataforma Decide diz também que estão em andamento os processos submetidos em organismos internacionais contra a morte de mais de 300 pessoas entre outubro do ano passado e os primeiros 15 dias de janeiro deste ano.
“Estamos em processo, em fase investigativa daquelas que foi a queixa já submetida no dia 13 de janeiro. O Tribunal Africano está na fase de compilação da equipa de investigação que vai trabalhar neste processo. O que nós devemos fazer é apenas aguardar porque estes processos, como nós já havíamos explicado por vezes, podem ser um bocado demorosos, mas também está-se a ponderar relativamente a abrir-se outros processos porque os casos de violação continuam”.
O coordenador da plataforma Decide, o Elgar Dias, submeteu queixas contra o antigo comandante-geral da República, Bernardino Rafael, e o ex-ministro do interior, Pascoal Ronda, por considerar que estes ordenaram o uso de armas letais e não letais contra manifestantes.
Orfeu de Sá Lisboa – Correspondente RDP África em Maputo
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