Três anos de investigação e debate sobre a história recente dos PALOP valeram ao “Dossier África” o reconhecimento direto da Assembleia da República, que destacou o pensamento crítico e o respeito pela democracia num espaço de profunda liberdade de expressão. O programa da RDP África foi desenvolvido por Nuno Sardinha a partir de uma ideia da investigadora Ângela Coutinho, que já colaborava com a estação em outros conteúdos. “O Dossier África tinha o propósito de estudar a história recente dos PALOP e a sua relação com Portugal. Em 30 anos de emissão, a RDP África tem cumprido o seu papel e prémios como o da Assembleia da República só o confirmam“, sublinha Nuno Sardinha, que destaca também a imprescindível contribuição de investigadores e académicos pois sem eles “o programa não teria existido“.
Conversámos com a investigadora Ângela Coutinho sobre o impacto do “Dossier África” no debate público.
O que significa para si a distinção que o “Dossier África” recebeu da Assembleia da República?
Este é um reconhecimento mais amplo, também de caráter político, da necessidade de criar mais espaços de diálogo que nos permitam conhecer-nos e relacionar-nos melhor. Considero justa a criação dessas oportunidades e fico muito feliz por ver reconhecida a utilidade de investir em espaços novos ou alternativos, promovidos pela sociedade civil em Portugal e nos diferentes PALOP.
O confronto de ideias e a apresentação de múltiplas perspetivas históricas tornam o “Dossier África” especialmente relevante?
O confronto de ideias é uma condição essencial para a produção de conhecimento científico. Ele deve estar presente neste exercício intelectual, assim como a multiplicidade de perspetivas, que nos obriga a um processo constante de crítica. Tudo o que parece estabelecido pode ser questionado mediante a análise metódica de novos factos ou elementos. Um dos objetivos do programa foi justamente dar ao grande público a oportunidade de conhecer as regras da produção científica, na qual as narrativas são validadas por meio de crítica fundamentada.
A ligação entre a rádio e o universo académico fortalece a qualidade e a profundidade das discussões sobre África e a lusofonia?
O acesso a este tipo de conhecimento permite aprofundar a análise de diversos fenómenos sociais e compreender a complexidade de certos aspetos, cujas raízes se estendem ao longo do tempo. Acredito que a qualidade das discussões, reflexões e análises sobre África, de forma geral, e sobre a Lusofonia, em particular, pode ser significativamente melhorada se os contributos da História e das Ciências Sociais forem considerados pelos diferentes atores e pelos cidadãos.
Na fotografia, da esquerda para a direita, a produtora Cristina Manuel, a investigadora Ângela Coutinho e o subdiretor da RDP África Nuno Sardinha.