“Insanidade é continuar a fazer as mesmas coisas e esperar resultados diferentes”, frase muito conhecida e popularmente atribuída ao grande físico e teórico alemão Albert Einstein.
Por sua vez, nas ilhas de nome Santo, São Tomé e Príncipe (STP), desde há muito que ouvimos os mais velhos dizerem que “tlaba só cá dá tê” e que “ce la nóm zunta món mô féço bassola pá téla nón pô bá uê!”.
Ora, embora os pensamentos aqui apresentados se reportem a épocas e a contextos sociais e culturais bastante distintos, creio ser possível identificar entre eles um denominador comum: a necessidade de produzir mudanças!
No caso de STP, os sinais que nos chegam desde que o nosso país alcançou a independência, em 12 de julho de 1975, indicam que, infelizmente, nunca houve um verdadeiro propósito coletivo de construir uma nação focada em promover mudanças capazes de fortalecer a coesão social, o bem-estar socioeconómico e a prosperidade para todos.
Longe de querer assumir uma postura pessimista, a sensação com que se fica quando analisamos o percurso feito até aqui é a de que a independência foi apenas proclamada, sem nunca ter sido plenamente concretizada. Tal realidade ajuda a explicar o estado de quase total falhanço do Estado no cumprimento dos compromissos inscritos na Constituição da República.
Creio após os são-tomenses terem sido agraciados com o discurso de fim de ano de 2025, proferido pelo Presidente da República, Carlos Vila, discurso esse um tanto desfasado da realidade social, económica e política do país, é cada vez mais evidente que chegou o momento de refletirmos e ponderarmos melhor as nossas escolhas em termos de representação política.
Hoje, mais do que nunca, precisamos de dignatários que não se apoiem apenas em discursos utópicos e circunstanciais, nem em perceções e avaliações de índices que em nada correspondem à dura realidade vivida pelos idosos, crianças e os jovens são-tomenses. Jovens esses que, diariamente, se debatem com o dilema de não saberem que rumo seguir no seu percurso estudantil, académico e profissional.
O nosso país carece de lideranças verdadeiramente comprometidas com um modelo de governação assente na transparência e na prossecução do interesse público, capaz de dotar STP de infraestruturas críticas essenciais à economia, ao bem-estar social e à produção de riqueza, como, por exemplo, nos setores da energia e da saúde.
É por isso que 2026 será um ano de grandes decisões para STP: um ano em que os são-tomenses devem ser mobilizados pela verdade, pela coragem e pelo bem-estar social de todos.
Gelson Baía, aos 09.01.2026