A degradação do ambiente político em São Tomé e Príncipe
Na semana em que todos nós, dentro e fora das ilhas maravilhosas de São Tomé e Príncipe (STP), deveríamos estar a debater, lembrar e homenagear o papel dos verdadeiros Mártires da Liberdade e heróis nacionais, massacrados a 3 de fevereiro de 1953, os efeitos da crise política instalada na Assembleia Nacional soaram mais alto, ao ponto de os deputados, os mais altos representantes do povo, protagonizarem cenas indecorosas, vexatórias e totalmente contrárias àquilo que se espera dos dignatários do povo.
Em bom rigor, aquilo a que todos os são-tomenses puderam assistir no dia 02/02/2026 é, como já declarei aqui neste espaço de opinião livre, o resultado de um longo e penoso processo de enfraquecimento, por ação e omissão, das instituições democráticas do país, agravado pela constante negligência em relação à liturgia dos cargos ocupados pelos mais altos titulares de cargos políticos da nossa nação.
Depois de termos celebrado recentemente os 50 anos da nossa independência e de, unanimemente, como comunidade, se ter chegado à conclusão de que, infelizmente, ainda não fomos capazes de cumprir, de facto, os ideais que sustentaram o sacrifício, a luta e os sofrimentos dos homens e mulheres que contribuíram para que hoje fôssemos uma nação livre – e de que, por isso mesmo, temos de fazer mais pelo nosso país – é de extrema gravidade constatar que o ambiente político em STP parece estar cada vez mais degradado. Só isso poderá justificar os comportamentos e atos de violência que são inaceitáveis no domínio do combate político, que, por sua vez, deveria ser de ideias, ideologias, propostas e medidas concretas para construir soluções duradouras para o progresso social e económico do nosso país.
Em vez disso, com alguma tristeza e sem surpresas, salvo as devidas exceções, parte da nossa elite política parece desconhecer ou ignorar as regras da democracia pluralista e de um Estado de direito com regras e princípios intransponíveis, preferindo apostar num clima de permanente conflito institucional que em nada ajuda a consolidar o nosso Estado.
Contudo, é preciso dizer que não há inocentes. O estado de degradação do ambiente político e, por consequência, das bases estruturais do nosso Estado é da responsabilidade de TODOS, sem exceção, os atores políticos são-tomenses, e está mais do que na altura de terem decência, superarem as diferenças e divergências e unirem-se em torno de um propósito comum.
Que todos possamos ter a capacidade de aprender com a história e, através dela, unir esforços para alcançar um objetivo comum: promover o desenvolvimento socioeconómico do nosso país.