A 6 de janeiro de 2025, quando o Presidente da República, Carlos Vila Nova, demitiu o XVIII Governo Constitucional, liderado pelo então primeiro-ministro Patrice Trovoada, creio que todos os são-tomenses fizeram fé nos fundamentos apresentados como causa para a demissão. Entre os vários fundamentos que deram causa à utilização da “bomba atómica” contra o então Governo, destaca-se o invocar, pelo PR, do contexto interno do nosso país, caracterizado por inúmeros desafios, particularmente económicos e financeiros, e a sua repercussão social.
Mais ainda: o PR socorreu-se, entre outros, à assinalável incapacidade do então Governo em aportar soluções compatíveis com o grau de problemas existentes, sem esquecer de trazer ainda à colação as frequentes e prolongadas ausências do então primeiro-ministro do território nacional.
Ora, como qualquer outro cidadão são-tomense atento e seriamente preocupado com o estado atual do nosso país, atendendo à crise energética aguda, com consequências desastrosas para a vida das populações, das empresas e da nossa economia, creio, em consciência, que há uma pergunta que todos os são-tomenses deveriam colocar ao nosso chefe de Estado, enquanto o mais alto magistrado da nação: 1 (um) ano depois de ter dado posse ao XIX Governo, liderado pelo primeiro-ministro Américo Ramos, que avaliação pode ser feita do modo como o Governo geriu os desafios mais prementes do país?
O silêncio um tanto embaraçoso do PR face à atual crise energética, à perturbação constante no fornecimento de água potável às populações, bem como perante alguns sinais de que, afinal, o XIX Governo nunca teve um plano político concreto, delineado e estruturado para o país, quando tomou posse a 14 de janeiro de 2025, é bastante revelador e ilustrativo de como, infelizmente, é urgente que os titulares de órgãos de soberania do nosso país conheçam e saibam exercer efetivamente os seus mandatos com espírito de missão, de respeito pela causa pública e pelos direitos fundamentais inscritos na nossa Constituição.
É impossível um Governo resolver todos os desafios pré-existentes no nosso país em apenas 1 (um) ano. Mas temos de ter a coragem, enquanto comunidade, de assumir que a crise energética de que o nosso país padece há décadas é fruto de uma mistura de incompetência, falta de visão estratégica e ausência de um propósito comum e partilhado do país que queremos construir.