De tragédia em tragédia, assim vai a Guiné-Bissau. Que tempo é este? Não canso de perguntar- para onde se tem caminhado este país?
Uma certa vez, nestas minhas cronicas sobre o país, dizia de que, a sucessão dos eventos na Guiné-Bissau, acontecem numa jactancia que não nos permite compreender os eventos, analisá-las, processar a informação e formar uma opinião. Tornou-se impossível. Tudo é fluido, rápido, tudo é, usando uma expressão de Zigmund Bauman, tudo é liquido. Nesta semana, por exemplo, inicialmente pensei que a crónica seria sobre um feito nobre, do Médico, Ginecologista Manlafe Mané, que criou uma fundação numa comunidade carente no Norte país, concretamente Mansoa, para cuidar da saúde das crianças, idosos, mulheres e reclusos a custo simbólico, naquela localidade, mas, não, a tragédia fez sucumbir o feito. Isso mesmo, permitam-se tautologia- uma trágica tragédia. Pelo que se sabe até agora morreram 9 crianças, este é o número, aliás, que ainda ontem foram sepultados no Cemitério de Antula, num único dia, num único acidente, 9 crianças foram levadas pela imprudência e negligencia na estrada, algo que se tornou perfeitamente normal.
Isto há 2 semanas da tragédia de Bafata, que também ceifou vidas, ora, isto cansa e cria desgaste, por que razão, por que motivo as coisas têm de se passar assim? Ou de ser assim? Sobre a tragédia de Bafatá, naquela semana eu dizia de que, a medida que foi tomada na sequência da incendio, de se fechar os pontos de vendas informais de combustível não resolvia a questão, pois o problema é ao nível nacional e em todos os setores, tem a ver com a falta de inspeção e controlo por parte do Estado.
Assim vai um país que foi fundado para ser um Estado modelo na sua zona, assim se caminha o país, o Estado fundado pela figura de Amílcar Cabral. Às vezes, a mim, dá-me a impressão de que há um consenso e pacto, animado pelo ódio, para destruir a Guiné-Bissau e não permitir nenhuma possibilidade de viabilizar o país. É o que parece, de repente tenho razão…