A indústria cimenteira voltou à atualidade económica angolana. Infelizmente pelos maus motivos.
De acordo com as estatísticas oficiais, Angola terá uma capacidade instalada de produção de cimento à volta de oito milhões de toneladas a. A previsão para este ano da procura interna é de quatro milhões de toneladas.
Pelo facto de a capacidade. Instalada de produção de cimento ser muito superior à procura, há alguns anos o governo decidiu proibir as importações de cimento. Contudo, pasme-se, o governo lançou um concurso para a importação de cimento, em 2026.
Isto é, um país que tem uma capacidade instalada de produção de oito milhões de toneladas/ano e uma procura interna de quatro milhões precisa de importar cimento.
Eu sou contra as proibições de importação, independentemente de nós consumirmos menos do que a capacidade instalada, não vejo razão nenhuma para se proibir a importação de cimento.
Mas a verdade é que o governo proibiu e agora abriu um concurso extraordinário para a importação de cimento. Este é o primeiro motivo de surpresa.
Como é que um país como a capacidade instalada de oito milhões de toeladas ano, uma procura interna de quatro milhões tem que importar cimento?
Poderá haver uma explicação. Existem umas três ou quatro cimenteiras em Angola que terão sido construídas com dinheiro do Estado. No âmbito do combate à corrupção, elas acabaram todas na mão do Estado. Eventualmente teremos aqui incompetência na gestão das cimenteiras que agora são cimenteiras públicas.
O concurso foi realizado e segundo o governo houve 18 concorrentes. Dos 18 concorrentes, apenas um foi selecionado porque, supostamente, os outros não cumpriam os critérios do concurso. E essa empresa ganhou a importação de cimento. Curiosamente ou não essa empresa, a única empresa que supostamente cumpria os critérios e que ganhou o concurso para importação de cimento para 2026 é uma empresa que pertence ao MPLA.
Sim, o MPLA, principal partido de Angola, que governa o País há 50 anos, tem uma espécie de um grupo económico encabeçado por uma empresa denominada GEFI. A empresa que ganhou a importação de cimento pertence ao MPLA.
O argumento para proibir a importação foi a proteção das empresas nacionais, mas o que muitas vezes acontece em Angola é que proíbem-se as importações para a seguir se abrirem excepções, permitindo as importações.
Normalmente quem ganha os concursos depois para a importação são empresas ligadas ao sistema como neste caso.
Proíbe-se a importação de cimento e depois, excepcionalmente, permite-se a importação de cimento e quem acaba por ganhar a importação é uma empresa ligada ao MPLA.