Após acontecimento do dia 26 de novembro de 2025, a sucessão dos eventos e cenário da vida política guineense parece ter a capacidade para enlouquecer qualquer um, basta se atentar para o desenrolar das coisas, um cumulo de absurdos no espaço curto do tempo. Uma realidade que me fez lembrar o Ex juiz do Supremo Tribunal Federal do Brasil, Marco Aurélio Melo, quando disse que Brasil era um país de “faze de conta”, fazer de conta que tudo funciona. Ainda que não.
Também hoje, olhando desse lado,
A realidade política e social guineense longe do desejado, é só fazer de conta. Fazer de conta que isto é assim e é assim que as coisas são e devem ficar para ficar. A normalização de absurdos e de caos em todos os níveis e aspeto da sociedade guineense.
Fazer de conta que a política vai bem, que se vive o pluralismo das ideias e que o direito a manifestação é devidamente respeitado, não há qualquer restrição de liberdade e garantias constitucionais.
Fazer de conta que o estado tem sido pessoa do bem, que não lesa e tampouco fere Direito de ninguém, que é um Estado de Direito e Democrático. Não há espaço para golpes de Estado, de nenhum tipo ou natureza. Guiné-Bissau, Estado modelo para o resto da sub-região.
Fazer de conta que as leis da Republica e de mais leis são estritamente respeitadas, há direito de reunião, de ir e vir, ninguém é tratado a margem da lei, não há tortura, sequestros e muito menos intimidação.
Fazer de conta que os direitos das crianças são sagrados, não há desaparecimento das crianças, os seus direitos são escrupulosamente respeitados. Cumpre-se na integra e letra a letra, as recomendações e preceitos dos Diretos Humanos.
Fazer de conta que a economia vai bem, tem se registado taxa de emprego nunca antes vista, o investimento estrangeiro atingiu números recordes, não há dividas soberanas e nenhuma outra divida, aliás, Banco Mundial é testemunha juntamente com Fundo Monetário Internacional. Não há escassez de nada.
Tudo vai bem.
Fazer de conta que a Democracia guineense é um modelo para o resto da África, deviam vir cá aprender o que significa vontade popular, pois aqui, só governa quem ganha eleição, os militares são exemplo da equidistância que se espera de um exercito em relação a política.
Guiné-Bissau, vamos fazer de conta, apenas fazer de conta, talvez assim esqueçamos a realidade louca, tão louca, que parece um seriado.
Por enquanto, fazemos de conta. Por enquanto, para fugir a loucura.