São Tomé e Príncipe (STP) tem vivido, nos últimos tempos, momentos verdadeiramente tenebrosos, e, em diversas ocasiões, aqui neste mesmo espaço de opinião, cheguei a dizer que vários são os sinais, mais do que evidentes, de que o nosso regime político está obsoleto, interna e externamente, face aos múltiplos desafios que os contextos sociais, económicos e culturais têm colocado às instituições do Estado são-tomense.
A prova disso mesmo é o facto de o debate político ter atingido um nível de crispação e de ostracismo altamente prejudicial a um ambiente político que se quer de diálogo, cooperação e entendimentos possíveis, necessários para que os responsáveis políticos resolvam os reais problemas que afetam a vida dos são-tomenses.
Infelizmente, aquilo a que todos os são-tomenses puderam assistir entre os dias 27 e 28 de janeiro de 2026, na Assembleia Nacional de STP, é o reflexo da degradação do ambiente político, cuja origem há muito vem sendo negligenciada pelos principais líderes políticos do país.
Se é verdade que, às vezes, o combate político faz exacerbar os ânimos e o discurso político, creio também ser importante termos a noção de que o que estamos a assistir é tudo, menos política. Na verdade, estamos a assistir à progressão de um verdadeiro caos instalado no âmago do nosso regime político em STP.
A relação dos são-tomenses com o Estado e as suas instituições há muito que está desgastada, devido essencialmente à falta de confiança, de credibilidade e à ausência de autoridade de todas as instituições políticas do país. Por isso, as cenas vergonhosas e indecorosas a que todos assistiram naqueles dias, na Assembleia Nacional de STP, que em nada dignificam a honra e a história dos são-tomenses, são, na verdade, o eclodir de um processo de enfraquecimento, por ação e por omissão, de todas as nossas instituições. Está aberto o caminho para o colapso político!
Os acontecimentos registados durante a tentativa de debate da moção de censura apresentada pelo partido ADI ao XIX Governo, liderado pelo primeiro-ministro Américo Ramos, mostraram que, afinal, e infelizmente, os mais altos representantes do povo nunca estiveram comprometidos com a causa pública, nem tampouco com a prossecução do interesse público. A falta de decoro e de respeito atestam isso mesmo!
Enquanto os titulares de órgãos de soberania, os principais atores e líderes políticos e a própria sociedade civil não forem sérios e comprometidos com os valores de uma democracia plural e participativa, o nosso país estará eternamente adiado.