O ESTADO MATOU LUÍS A SANGUE FRIO,
Definitivamente a Guiné-Bissau chegou ao mais fundo do poço, não se bateu no fundo, não, perfurou-se o fundo do poço. Exatamente isso. Quando os assassinatos deixam de acontecer apenas no campo político, o estado guineense, esta maquina de matança, torna ainda mais carniceiro…há menos de um ano, em São Domingos, uma criança que tinha sido dada como desaparecida, foi, dias depois, encontrada morta, cachinada, sem órgãos, ainda no mesmo ano, 2025, 4 crianças, com diferença de meses, foram encontradas mortas, cujos corpos não escondiam sinais de tortura, da maldade, e da abjetice.
Atos macabros, que até data presente não se conhece o que disseram as investigações, mal se iniciou o ano 2026, a sociedade guineense, como se não bastasse a história do golpe que Presidente Good Luck Jonathan chamou de “Golpe Cerimonial”, o jovem Luís Bidam, trabalhador de transporte público- Toca-toca, foi agredido, de forma vil e cobarde, até a morte, por agentes até aqui identificados como fardados, pois utilizavam uniformes militar. O que levanta grande questionamento e indignação. Luís teria sido espancado até a morte por homens afetos à força da segurança e defesa nacional? Se assim se confirmar, como todas as testemunhas até aqui apontam, seria mais uma vergonha dum estado sem vergonha. Que repugnante! Que violento!
Quem era Luís? Por ser um ajudante de toca-toca, na Guiné-Bissau, um estado que nega aos jovens o direito à educação e o emprego, Luís pertence ao grupo de muitos jovens que recusaram a se vergar a marginalidade, a delinquência, como boa parte da elite política guineense. Recusou ser bandido. Decidiu ganhar a sua vida de forma digna e transparente, até o dia fatídico, em que três homens fardados, repito, de forma vil e cobarde lhe ceifaram a vida. Que injustiça!
Haverá justiça para Luís?
Mas, talvez devemos ainda perguntar, a que nível chegou o estado e a sociedade guineense???
Que tempos mais estranhos e sombrios são estes?
Como uma sociedade que já deu prova de tolerância, de humanidade, da justiça, pode fazer tal inversão da marcha? Como se pode, de forma tão cruel e animal, matar um jovem vitima de marginalidade do estado?
O pai, através de um vídeo curto na rede social, lamenta, impotentemente, a morte do seu menino, que pai não lamentaria, que pai não choraria?
Perante isto, perante este… sadismo do estado e sadismo social, do sádico mesmo, pergunto: Do que vale a criação da República e do Estado? Quando este não protege a quem diz, textualmente, pertencer a soberania? Do que vale a justiça, quando sob a sua espada, mães choram os filhos e clamam sem resposta, e tudo que recebem duma justiça cega e corrupta, é o silêncio, de que nos servem os tratados e convenções assinados em nome do povo?
Do que vale as nossas crenças e mais puras convicções sobre a nossa humanidade?
Neste momento, em que a Guiné-Bissau se definha, no mar da incompreensão e da incerteza, surge-se outra pergunta, a quem clamar e exigir à justiça para o jovem Luís???
Quem para Luís? Quem para Luís?
Luís, era esperança do seu pai, uma esperança que saiu de casa como de habitual, só que da última vez, nunca mais voltou. A sociedade está interpelada a convocada a reagir, ou teremos que perguntar então- como será que se dorme o nosso sono.
Na Guiné-Bissau, hoje e em diante, quem está seguro? Quem se sente seguro?
Quem?