O que aconteceu em Bafatá não deve constituir surpresa e tampouco novidade para quem sabe o que significa inspeção na Guiné-Bissau. Assim, quem tem a noção, a pergunta que talvez se deva fazer seria- quem protege os cidadãos guineenses?
Posso dar alguns exemplos concretos, que justifica a minha constatação inicial, antes de falar propriamente da tragédia de Bafatá que ceifou vida a 8 pessoas, dentre 163 feridos com queimadura de elevado grau.
Os chamados serviços de inspeção na Guiné-Bissau, em todos os setores e níveis, é o melhor retrato do quadro da corrupção e inabilidade de um Estado que há muito demitiu-se das suas funções mais básica e elementar.
Esta disfuncionalidade estatal acabou por ser agravado, nos últimos tempos, pelos ciclos de instabilidade e desgovernação em que o país se tem vivido.
Podemos perguntar, por exemplo, como funciona a inspeção dos géneros alimentícios, num país que importa quase tudo, tudo mesmo?
Quem inspeciona por exemplos os medicamentos que os guineenses consomem? Como funciona? Quanto são casos dos guineenses que se deslocam para Ziguinchor, Senegal, em busca do tratamento e descobrem que estavam se medicando com medicamentos falsos e fora da data de validade?
Este exemplo é apenas da área da saúde, e os espaços públicos de alimentação, têm condições? São inspecionados? Por negligência e falta de inspeção, é fácil ver as consequências nos casos como do que ocorreu em Bafatá, mas, quando um cidadão consome o frango importado fora do prazo? Um leite importado falsificado, um ovo sem condições, queijo, sardinha, etc, ninguém sabe. Contudo, as pessoas não deixam de reclamar, mas o Estado pouco faz, pelas razões que não me parecem difícil de saber.
O que aconteceu em Bafatá, é o que poderia acontecer em qualquer outra área, é o que acontece diariamente nos Centros Hospitalares, é o que já aconteceu data vezes nas travessias de canoa nos Arquipélagos dos Bijagós, Bolama e Bubaque concretamente. Por falta de inspeção.
A tragédia de Bafatá demonstra o quanto a sociedade guineense está talhada e dada a estas tragédias, enquanto não houver uma política do Estado séria e responsável,
enquanto não houver uma governação voltada as pessoas, para o povo, a tendência é que estas situações se voltam a repetir. E, assim, vai se continuar a remediar, ao invés de se prevenir, como vimos, o caso do Avião que foi solicitado para vir buscar os feridos e transferir para Dakar, onde devem continuar os tratamentos mais especializado.
A pergunta que podemos aqui deixar é a seguinte: O que é mais caro ao Estado, fretar um avião de alto custo ou inspeção dos serviços que são prestados ao público.